Oximoro ou a grande contradição…

Não estou falando palavrão! Estou simplesmente chamando a atenção para um fenômeno que começa a invadir os discursos políticos, econômicos, religiosos e sociais.

O dicionário Houaiss define oximoro como uma figura em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão (p.ex.: obscura claridade, música silenciosa); todavia, se olharmos pela etimologia grega, essa palavra também significa “loucura aguda”!

Bertrand Méheust, em La politique de l’oxymore, comment ceux qui nous gouvernent nous masquent la réalité du monde (o oximoro, como os que nos governam mascaram para nos a realidade do mundo), chama a atenção sobre o fato de que, nas sociedades contemporâneas, existe uma proliferação dessas figuras de conciliação impossíveis. Os oximoros (por exemplo, na Alemanha nazista) são forjados artificialmente pelos ideólogos para justificar e manter uma ordem; contam com a cumplicidade de alguns intelectuais e o apoio de meios de comunicação submissos. Se um poder (político, econômico, empresarial ou religioso) estiver obrigado em justapor afirmações contraditórias, talvez seja porque o processo social começa a gerar tensões cada vez mais fortes. Vamos a alguns exemplos de oximoros contemporâneos.

A sociedade contemporânea dispõe de uma perspectiva temporal mais ampla do que as sociedades do passado com porque tem consciência dos quinze bilhões de anos de existência do universo: contudo, ela liga sua visão de mundo e sua atividade à instantaneidade da Bolsa!

Ela promove o indivíduo como valor central, mas ela produz seres formatados que são despossuídos de sua individualidade pelas práticas conformistas através das quais eles pensam ser anticonformistas!

Ela elogia o risco e a iniciativa individual ao mesmo tempo que ela defende o risco zero.

A GRANDE CONTRADIÇÃO, porém, pode estar no fato de que sabemos que a biosfera é uma película fina e frágil, uma espécie de exceção quase milagrosa num ambiente cósmico vazio e gelado e que ignoramos que a mesma biosfera não poderá suportar por muito tempo ainda um crescimento contínuo sem desabar.

Essa contradição fundamental permeia todas as outras e é para mascá-la-á que nossa sociedade multiplica os oximoros. Pode assim esconder de si mesma uma verdade terrível: seu projeto fundamental é insensato e insustentável e ele está levando a humanidade para o abismo.

Nesse tempo de muitas promessas, precisamos de uma chave de discernimento que nos permita separar o que faz sentido do que nem tem sentido! Nem sempre a coerência garante a consistência de propostas…isso quando existe ainda coerência lógica!

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